António Victorino d’Almeida e Luíz Avellar arrebataram espectacularmente o público


Numa sala repleta de um público especial, muito interessado em ver e ouvir o resultado do anunciado duelo de pianos, António Victorino d’Almeida, maestro, pianista e compositor e o brasileiro Luíz Avellar, também na condição de pianista e compositor, deram um concerto memorável.
Coube a Luíz Avellar abrir as “hostilidades” dando largas a sua imaginação criativa, tocando a solo, um improviso com tema e variações que instalou na sala um ambiente muito acolhedor, para o concerto.
António Victorino d’Almeida, também teve o seu momento solístico, interpretando a música que no momento lhe ocorria para o seu improviso.
Uma vez postos frente a frente, o Festival de Música da Maia teve um dos momentos mais irrepetíveis de toda a edição do ano 2010.
Os dois músicos, senhores de um talento poderoso, iniciaram um diálogo intenso, por vezes densamente sinfónico, apesar de estarem apenas e aparentemente limitados aos seus pianos.
Os contrastes dinâmicos que conseguiram, a expressividade dos seus fraseados e a energia criativa com que percutiram vibrantemente a maioria dos acordes nos teclados, levaram o público ao rubro.
Em certos momentos, o concerto parecia ser uma viagem na História da Música, dadas as evocações formais do barroco, do romantismo, impressionismo ou formas mais contemporâneas, sendo fácil reconhecer, aqui e ali, Bach, Vivaldi, Scarlatti, Mozart, Beethoven, Schubert, Brahms, Chopin, Stravinsky, Tchaicovsky, Chostakovich, Schoenberg, entre outros grandes compositores e, naturalmente, o próprio António Victorino d’ Almeida.
Pelo meio houve ainda lugar à boa disposição, com hilariantes momentos de fino recorte humorístico, com caricaturas musicais muito divertidas de excertos de temas da música popular portuguesa, tocados em forma de concerto, pondo o público a aplaudir com desprendidas gargalhadas.
Esta abordagem proposta pelo Maestro António Victorino d’ Almeida e partilhada com Luíz Avellar é de certo modo inovadora, pela forma descontraída e festiva com que a Música acontece para gáudio do público.

Victor Dias

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